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‘As pessoas não pensam mais por onde estão indo’, diz Uri Levine, criador do Waze via fsp

Natal, 17 de Janeiro de 2018 | Cultura , Economia , Política , Finanças, Gestão, Pessoas , Negociação Coletiva e sustentabilidade.

Marcelo de Souza

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04 jan 2016

‘As pessoas não pensam mais por onde estão indo’, diz Uri Levine, criador do Waze via fsp


O israelense Uri Levine é um personagem heterodoxo até para o padrão pouco ortodoxo do mundo dos milionários da tecnologia. Não faltam narrativas sobre seu estilo de vida. Mora em um flat alugado, mantém uma garagem relativamente modesta (com um Alfa Romeo Giulietta e um Renault Clio, segundo relatou o “Financial Times”) e não consegue esquiar tanto quanto gostaria por causa do trabalho.

Aos 50 anos, Levine ocupa seu tempo fomentando start-ups que proponham uma solução tecnológica para diferentes tipos de problemas. Uma das empresas erguidas por ele atacou um velho desafio de quem mora em metrópoles: descobrir um caminho com menos trânsito.

Processando as informações dos celulares dos próprios motoristas, o Wazeestabeleceu-se como o mais famoso nome da primeira geração israelense de “unicórnios” —apelido dado às start-ups avaliadas na casa do bilhão de dólares.

Vendido ao Google por US$ 1,1 bilhão em 2013, o aplicativo se tornou referência mundial para trânsito e para crowdsourcing, o uso de informações dos usuários, uma multidão que no caso do Waze ultrapassou a casa dos 50 milhões, segundo o último número conhecido, já antigo.

A transação jogou luz em outra faceta heterodoxa de Levine: a visão crítica ao venture capital, o dinheiro de investidores que aceitam correr o risco de apostar em novas empresas. Esse tipo de aporte é o oxigênio das start-ups. Sem ele, empresas como o Waze dificilmente se viabilizariam.

“A maior parte dos incentivos está centrada nas taxas que são cobradas e não nos resultados”, diz o israelense. A venda do Waze obviamente deixou ricos Levine e os três outros fundadores. Até os cerca de cem funcionários à época se deram bem —cada um levou US$ 1,2 milhão.

Reprodução/Facebook/ulevine
Uri Levine, criador do Waze
Uri Levine, criador do Waze

Levine confirmou à Folha que ele próprio ficou com uma fatia de 3% da venda, algo em torno de US$ 35 milhões.

O grosso do dinheiro foi para as mãos dos investidores. Certa vez, em uma palestra, o israelense divertiu-se contando como usou sua lábia para convencê-los a abrir a carteira. “Tínhamos um encontro importante com potenciais investidores. Pesquisamos onde moravam e nos certificamos de que as casas deles estavam no mapa do Waze. No começo da reunião, um investidor fez a pergunta inevitável: “você está tentando me dizer que acharei minha casa aí no mapa?”. Respondi que claro que sim e inocentemente perguntei: ‘Onde você mora?’. A casa saltou no mapa. Ele ficou com os olhos arregalados, e eu podia ver dólares dentro deles.”

Levine foi um dos poucos “Wazers” a deixar a empresa após a venda. Dedica-se agora a outros nomes: FeeX, Engie, Roomer e FairFly, descritos por ele abaixo.

O apetite por tentar tantas coisas novas se explica. Segundo a consultoria World Start-up Report, Israel é o país com maior propensão a criar empresas de tecnologia: a relação é de 375 start-ups para cada milhão de habitantes, quase o dobro da proporção nos EUA.

*

Folha – Como surgiu a ideia de criar o Waze?

Uri Levine – Veio da frustração de estar num congestionamento e não saber o que fazer. Esse era o problema. E na verdade o que eu queria saber outros motoristas já sabiam que estava ocorrendo. Se pudéssemos juntar essa informação, teríamos uma solução. Se pudéssemos saber onde os motoristas estavam, poderíamos descobrir onde os congestionamentos estavam e ajudar as pessoas a evitá-los.

Como foi o processo de desenvolvimento? Quais os maiores problemas que vocês encontraram?

Nós começamos a estudar a viabilidade em 2006, mas começamos de fato a empresa em 2008. Só lançamos o serviço em 2009, mas não tínhamos usuários suficientes até 2010. Então melhorar os mapas até 2010 foi o passo mais complexo que tivemos. 2010 foi o ano crítico para nós.

Em algum momento o sr. pensou que não seria possível conseguir isso?

Nós estivemos sempre confiantes de que era um problema que valia a pena resolver. Estamos comprometidos com isso. Achávamos que teríamos sucesso, mas não tivemos certeza até 2011.

No começo, o sr. e seus companheiros dirigiram por várias estradas que não apareciam nos mapas, para que o sistema as integrasse. Como foi isso?

A ideia era trabalhar com crowdsourcing. Isso em geral demanda que as pessoas desenvolvam a informação primeiro. Se há uma rua a que ninguém vai, ela não vai entrar no mapa no primeiro momento, vai demorar muito para entrar no mapa. Ao mesmo tempo, ninguém se preocupa, porque quase ninguém está indo até ali. Mas, se você olhar a avenida principal de São Paulo, há um monte de gente dirigindo ali e obviamente ela vai aparecer no começo. O resultado é que lugares onde há muitas pessoas e muitos congestionamentos acabam aparecendo muito mais rapidamente.

Como o Waze influencia a maneira como as pessoas dirigem, na sua opinião? As pessoas nem pensam mais no nome das ruas?

É isso. Deixe-me contar uma história bem clara, que é um basicamente um estereótipo. Eu tenho um ano filho de 17 anos e meio, que há alguns meses começou a dirigir, e usa Waze para tudo. Um dia eu pedi que ele me levasse ao aeroporto, e ele disse: “Não posso”. Perguntei: “Por quê?”. Ele respondeu: “Porque meu celular não funciona. Eu não tenho Waze, então não sei como chegar lá”. A moral da história é que as pessoas não pensam mais por onde estão indo.

O sr. acredita que isso é um problema ou de jeito nenhum?

Deixe-me perguntar: você se lembra dos números de telefones?

Não.

Quando era uma criança eu sabia todos os números de telefone de que precisava. Mas isso deixou de ser importante. Então isso é uma coisa boa ou uma coisa ruim? Podemos lembrar outras coisas que são mais relevantes ou mais importantes.

O Waze agora publica propagandas sobre os mapas. Não é uma distração muito grande para as pessoas enquanto dirigem?

Há dois modelos de propaganda no Waze. Um é de pontos de interesse, de venda, que estão no mapa, e eles estão apenas ali. São pontos do mapa como quaisquer outros no mapa. A outra são os pop ups [anúncios que “saltam” por cima do conteúdo principal da tela] promocionais que só aparecem quando você está parado no trânsito, não quando está dirigindo. Então não acredito que interfiram com a condução do veículo.

O sr. já disse que, quando alguém resolve um grande problema, estará sempre no cardápio de alguém maior do que você. Todas essas novas empresas de TI vão acabar sendo compradas por Google ou Facebook?

O fato de estar no cardápio não significa que você será comprado. É muito provável que Google, Facebook, Microsoft, Amazon ou Apple vão [se interessar por sua empresa]… Se vai ser o final do caminho ou não, eu não sei.

Qual foi o segredo para o desenvolvimento dessa cena de start-ups em Israel?

Em Israel, inovação e particularmente empreendedorismo são algo muito, muito importante. Mais do que em outros países pelo mundo, de longe. Acredito que existam algumas razões para isso. Uma é por causa do Exército. Eu não dizendo que recomendaria a alguém que vá para o Exército, mas em Israel isso é obrigatório. [Em Israel o serviço militar é obrigatório por três anos para homens e por dois anos para mulheres]

E quando você vai para o Exército, duas coisas acontecem. Uma é que você amadurece mais rapidamente. Se você amadurece mais rapidamente, você pode fazer coisas mais rapidamente do que em outros lugares. A segunda coisa, que diria que é tão importante, é que você não tem medo do fracasso. E esse medo do fracasso é que atrasa muitos países.

Mas há outros fatores. Parte disso está nas mãos de vocês [da mídia]. Se você acredita que o Brasil deveria ter mais empreendedores, então transforme-os em heróis. Se a mídia promove os empreendedores, haveria mais gente querendo embarcar nessa aventura. Os jovens buscam modelos, olham a cultura à sua volta. Se a mídia transformasse os empreendedores em modelos de conduta, haveria muito mais empreendedores.

Por que não produzimos um Waze brasileiro?

Eu acredito que a combinação entre medo do fracasso, a questão do heroísmo e a falta de apoio do governo são fatores decisivos. O que acontece se você abrir uma empresa no Brasil e quebrar? Você fracassou, certo? Há duas consequências disso. A primeira é: qual sua capacidade para de fato começar um novo negócio no Brasil? Isso tem a ver com questões de regulação. E a outra é quão aceitável isso seria na sociedade.

Essas duas coisas são muito menos assustadoras em Israel do que são no Brasil. Em Israel você provavelmente teria muito mais reconhecimento por ter tentado do que pelo fato de ter falhado. Se você falha, não fica com uma culpa. Assim reduzimos a barreira para start-ups começarem.

As pessoas acreditam ou gostariam de acreditar que quando crescerem gostariam de ter uma start-up própria. Meu filho de 21 anos já começou a sua própria start-up. E isso é algo para o que as pessoas olham e dizem: se vou ser um engenheiro, meu objetivo é ter uma start-up minha. Muito disso tem a ver com a promoção feita pela mídia. Essa é uma parte muito importante. Todo o ecossistema apoia muito isso.

O sr. gosta de repetir frases como “The Main Thing is to Keep the Main Thing the Main Thing” (“A principal coisa é manter a principal coisa como a principal coisa”) and “Fall in Love with the Problem, not the Solution” (“Apaixone-se pelo problema, não pela solução”). Como funciona isso?

Acredito que, se você focar em resolver o problema de fundo e continuar focado em resolver esse problema, então é muito provável que tenha sucesso. Isso é muito importante. As startups de sucesso fazem uma coisa corretamente: resolvem o problema. Esse é um conselho que eu daria muito fortemente aos empreendedores. É de longe a coisa mais importante que eu posso dizer às pessoas.

O sr. criou a FeeX, autodenominada a Robin Hood das taxas. Como funciona?

A FeeX lida com o maior segredo do mundo, que são as taxas financeiras. Elas sozinhas representam US$ 600 bilhões. E a maior parte das pessoas nem sabe que as estão pagando. Se você não sabe quanto está pagando, então isso é um segredo. Meu pai uma vez me ensinou que, se você não sabe quanto está pagando, então está pagando demais.

Nós criamos a FeeX para ajudar as pessoas a saber quanto estão pagando em dólares, não em percentual nem em pontos-base. Se você está pagando 1% por ano, isso não parece ser muito, mas na realidade isso pode significar um terço da sua aposentadoria. Esse 1% ao longo da estrada acumulado pode chegar a um terço. É muito dinheiro.

Estamos ajudando as pessoas a entender quanto elas pagando em dólares e não em percentuais. Estamos ajudando as pessoas a poupar muito dinheiro, US$ 50 mil por pessoa. Ainda não funciona no Brasil, mas em algum momento chegaremos aí.

Em que campos a tecnologia poderia fazer diferença e não estão sendo atacados suficientemente?

Todos os casos são uma questão de resolver problemas, sempre relacionados aos consumidores e em ajudar um número grande de pessoas.

Um exemplo: Engie, que lida com a frustração de ir ao mecânico. Se eu vou ao mecânico, e ele me diz para trocar o carburador, eu respondo para ir em frente e trocar, porque eu não tenho conhecimento. Mas na verdade não se fazem mais carros com carburadores, só que eu não sei nada de carros. A partir do seu smartphone, Engie conecta-se com o computador do carro e faz um diagnóstico para você.

Roomer é um mercado para reservas de hotéis. Imagine que você fez uma reserva de hotel que não vai usar. Com esse aplicativo você pode vender sua reserva para outra pessoa.

Existe uma start-up chamada FairFly. Nós olhamos os preços antes de fazer a reserva, mas ninguém compara os preços depois disso. O que acontece com a tarifa aérea depois que você comprou a passagem? Os preços continuam subindo e descendo depois que vocês comprou. Você está deixando dinheiro na mesa. Com um clique, você consegue economizar.



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