Entrevista com o DR. Sebastião Franco da Silva, concedida c/exclusividade a este Site – Marcelo Souza
Sebastião Franco da Silva nasceu em Jardim de Piranhas/RN, em Janeiro de 1962. Graduou-se em Fisioterapia, com especialização em Anatomia Patológica. Fez seu mestrado trabalhando a Educação: o ensino da ciência através do uso de problemas e doutorou-se na área de Neurociências/Psicobiologia: Sistema Visual e Óptico Acessório.
Destacando-se em sua área, é professores e pesquisador em neurociências, ministrando a disciplina de Neuroanatomia e Anatomia Humana na UnP e UFRN. Nessa conversa, Franco nos fala de sua área de atuação, expectativas e projetos.
Em que atua um neurocientista e como seu trabalho influencia na vida das pessoas?
A neurociência é muito ampla, mas de forma resumida o neurocientista pode atuar no ensino da neurociência, na aplicação da neurociência e na pesquisa.
Trabalhando e pesquisando na geriatria muitos filhos ou acompanhantes de pessoas idosas se queixam de seus familiares idosos dizendo, o meu avô/avó não lembra os nomes dos netos, dos sobrinhos, dos amigos e as vezes dos filhos. Almoça e logo em seguida fala: ninguém vai almoçar nessa casa? Esquece que almoçou a 30 minutos, perdem a noção de espaço/temporal (bate no sofá, derruba cadeiras, freqüentemente sofre quedas etc). O nosso compromisso de pesquisador é buscar soluções para resolver os problemas da sociedade e diminuir o sofrimento da população.
Hipócrates (século IX a.C.) dizia que do encéfalo vem a alegria, o prazer, o riso e a diversão, o pesar, o ressentimento, o desânimo e a lamentação. E de uma maneira especial (memória) adquirimos sabedoria e conhecimento.
Pesquisas envolvendo as questões sobre memória vêm sendo apontadas e discutidas com mais afinco nos últimos anos. Isto se deve ao fato de ser um estudo de abordagem mundial, porque este fato está acarretando uma reestruturação nos âmbitos da saúde, do meio ambiente, psicológico e social. Os processos envolvidos na memória necessitam ser estudados e pesquisados, para melhorar a nossa compreensão sobre o assunto e favorecer uma aplicação mais adequada das terapêuticas existentes e de novas terapêuticas na saúde da população.
Fisiologicamente, a memória pode ser definida como a capacidade de relembrar pensamentos que foram, originalmente, produzidos por sinais sensoriais aferentes. A maior parte da memória ocorre no encéfalo, talvez porque cerca de três quartos de todos os neurônios do sistema nervoso central aí estejam situados. Entretanto, sabe-se que em termos essenciais, qualquer área do sistema nervoso central pode participar do processo de memória. Existem vários tipos de memória, várias classificações, mas destacaremos, inicialmente, pelo menos dois tipos de memória, memória a-curto-prazo e memória a-longo-prazo.
Como o senhor descobriu sua vocação e decidiu segui-la?
As formações do sentimento de ajudar as pessoas e a Curiosidade foram o ponto de partida para trabalhar e pesquisar na neurociênciência.
Natal desponta como referência internacional na área. O senhor poderia comentar esse processo e sua importância?
A neurociência em Natal é referência mundial principalmente pela implantação do instituto internacional de Neurociência com atividade em Natal e Macaíba.
Fale um pouco sobre seus planos e expectativas.
Meu plano é continuar pesquisando, nos próximos anos descrever o sistema sensorial (ver qual a parte do cérebro corresponde ao dedo, mão, braço etc),. forma um atlas do cérebro do mocó e formação do olho biônico. São trabalhos simples que precisam de integração da área da saúde, engenharia e da biologia.
Por fim, como o senhor avalia a divulgação científica da neurociência em nosso estado? Tem planos de publicar algo na área ou quer divulgar algum trabalho?a
A divulgação da neurociência no RN ocorre principalmente nos congressos e algumas revistas de circulação restrita, poucas pessoas tem acesso.

