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impeachment hoje serve aos corruptos e aos corruptores diz o Sociólogo Adalberto Cardoso a folha de São Paulo

Natal, 19 de Outubro de 2018 | Cultura , Economia , Política , Finanças, Gestão, Pessoas , Negociação Coletiva e sustentabilidade.

Marcelo de Souza

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26 abr 2015

impeachment hoje serve aos corruptos e aos corruptores diz o Sociólogo Adalberto Cardoso a folha de São Paulo


Impeachment hoje serve aos corruptos e aos corruptores
SOCIÓLOGO DIZ QUE LAVA JATO FERE INTERESSES DOS QUE USAM O ESTADO EM SEU BENEFÍCIO E QUE IMPEDIMENTO DE DILMA FREARIA ESSE PROCESSO

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO
A Operação Lava Jato está expondo o coração do capitalismo brasileiro, que é inteiramente corrupto. Ela fere interesses empresariais e políticos que usam o Estado em seu benefício. Quem defende o impeachment hoje quer que essa limpeza acabe. Por isso, o impeachment serve aos corruptores e corruptos.

A visão é do sociólogo Adalberto Cardoso, 53, diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Para ele, é ingenuidade não identificar interesses externos na crise política.

Cardoso afirma que o projeto sobre terceirização leva as relações de trabalho para o século 19. Mas mobilizações mudaram a qualidade do debate sobre o tema, afirma, e votar a favor da mudança na CLT é suicídio político.

Como o sr. avalia os desdobramentos da crise política após a prisão do tesoureiro do PT?

A corrupção é uma prática empresarial antiga no Brasil. Vivemos hoje parte de um processo de limpeza e, espero, de correção dessa herança de conluio entre o público e o privado. As elites e vários agentes sociais não sabem separar púbico e privado. O Estado sempre funcionou a serviço das elites econômicas. Quando há um amplo combate à corrupção, o potencial de crise é grande.

O que a Lava Jato está expondo é a forma como o capitalismo se organiza no país. Ele é constituído de forças capazes de corromper os poderes públicos para que a sua atividade possa caminhar. Existe uma simbiose grande entre agências estatais e grandes corporações e grupos econômicos, que usam o Estado como agente seu.

A Lava Jato está mexendo com profundos interesses empresariais e políticos. Aqueles que clamam pelo impeachment estão querendo impedir que essa limpeza continue. O impeachment hoje serve aos corruptores e aos corruptos.

A história recente mostra que há um certo viés na ação anticorrupção. Só petista ou próximo ao PT vai para cadeia. Há uma profunda revisão do que é o nosso capitalismo, e o agente desse processo é o governo. Nenhum outro governo jamais fez isso.

Como avalia as posições que apontam interesses externos nesse ambiente, especialmente sobre Petrobras e pré-sal?

Seria ingenuidade achar que não há interesses internacionais envolvidos. Trata-se da segunda maior jazida do planeta. O impeachment interessa às forças que querem mudanças na Petrobras: grandes companhias de petróleo, agentes nacionais que têm a ganhar com a saída da Petrobras da exploração. Parte desses agentes quer tirar Dilma.

Há ação coordenada de fora?

Não acredito em teorias internacionais da conspiração. Mas não há dúvida que há financiadores desses movimentos de direita que chamam pessoas para rua. As faixas têm a mesma tinta, mesmos dizeres, as camisetas são iguais, os enfeites. Alguém está bancando. Interessa a determinadas forças internacionais a desestabilização política do país. O Brasil está se tornando independente em petróleo. É obvio que os EUA estão olhando para isso.

Como vê a ação do Congresso?

Eduardo Cunha está agindo como manda Maquiavel: fazendo maldades de uma vez. Em parte porque não sabe se há sustentabilidade para essa agenda que resolveu abrir: redução da maioridade penal, terceirização, armas.

Mas os protestos contra o projeto de terceirização não provocaram um recuo?

Cunha percebeu que cometeu um erro. Uma coisa é tirar da gaveta temas conservadores da agenda dos costumes –aborto, maioridade penal. É diferente de mexer em direito das pessoas, principalmente no direito do trabalho. A CLT, que tem 72 anos, faz parte do que o Brasil é. Foi uma conquista, fruto de lutas, greves ao longo de décadas. Trabalhadores nascem sabendo do direito.

O projeto leva as relações de trabalho para o século 19, um momento na história que não havia proteção para trabalhador. Cunha tocou num ponto muito sensível de uma maneira muito atabalhoada; gerou a reação.

Por que houve recuo no amplo apoio ao projeto?

É um suicídio político para qualquer partido [apoiar o projeto]. No caso do PMDB, é mais grave porque ele foi o patrono da Constituição de 1988. O projeto é um tiro no peito da Constituição, pois destrói direitos sociais e do trabalho. O custo para os partidos será muito alto se isso passar, e isso foi percebido. [O deputado] Paulinho da Força (PDT-SP) deu um tiro na cabeça com esse projeto.

Com os protestos, o projeto tem menos chance de passar?

Não tenho dúvida. Houve mudança na qualidade do debate. A sociedade reagiu. A CUT, os sindicatos e partidos conseguiram botar mais gente na rua no que nos protestos de 12 de março. Políticos que não levarem isso em consideração estão dando tiro no pé.

Essa mobilização pode virar o jogo e galvanizar a esquerda?

No parlamento, é uma possibilidade real. O presidente do Senado disse que a lei como está não passa. O PMDB é um partido de alguma maneira comprometido com causas sociais e não abdicou inteiramente da sua história. Abrir mão disso é um risco alto.

O projeto da terceirização vai fracassar?

Metade da Câmara é composta de empresários, que apoiam o projeto e têm muito a ganhar com ele. Ele precariza relações de trabalho e gera redução de custos. Vai haver pressão muito grande do lobby empresarial e financeiro. Mas haverá também povo na rua fazendo barulho. Político preocupado com sua sobrevivência ouve a rua. Político preocupado com sua reeleição ouve quem paga campanha. Isso vai criar uma tensão séria no Congresso.

Como analisa o futuro do PT?

Tudo vai depender dos próximos meses. Se a questão do impeachment evoluir –o que não considero o cenário mais provável– o PT vai sofrer um revés que levará anos para se refazer. Há um outro cenário de sangramento contínuo de Dilma, com ela ficando totalmente submissa ao Congresso, um esvaziamento da presidência. O cenário mais provável é de uma crise neste ano, estabilização em 2016, retomada em 2017 e o Brasil chegar bombando em 2018, como aconteceu em 2010.

Com Lula?

A tentativa hoje é destruir governo, PT e Lula. O que está em jogo é um processo de desconstrução de uma alternativa eleitoral de esquerda. O PT paga um preço alto por fazer o que os partidos de esquerda fazem: distribuição de renda, melhoria de vida para os mais pobres, redução da desigualdade.

A liderança do ex-presidente Lula foi abalada?

Ninguém está imune ao processo de desconstrução. Mas Lula é Lula. Hoje ele sofre as consequências do dessoramento do projeto do PT em função da crise econômica e política. Se o cenário da retomada se concretizar, Lula pode voltar a ser o que era.

Qual sua visão sobre Aécio?

Aécio voltou com a agenda do impeachment, que parte do PSDB estava abandonando, por duas razões. Primeiro, porque Eduardo Cunha tomou a dianteira da agenda da oposição e de direita de maneira muito eficiente nos últimos meses. Em segundo lugar, porque os que foram às ruas naquele domingo começaram a chamar Aécio de “cagão”, porque ele não vinha [às ruas]. A única bandeira que ele tem nesse debate é a do impeachment.



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