Na bolsa, robôs desafiam limites de infraestrutura – via veco
Por Conrado Mazzoni | De São Paulo
Rogério Paiva, da BLK: investimentos para ampliar a capacidade de negócios em alta frequência para as corretoras
Deu “tilt” na bolsa no dia 17 de janeiro. O pregão regular começou com 1h25 de atraso. Para investidores de alta frequência, que vasculham oportunidades de arbitragem de ativos por milissegundo, não é uma perda de tempo desprezível. Um lembrete para as barreiras estruturais inerentes à proliferação de robôs. A confiabilidade no sistema de execução de ordens é essencial para atrair clientes estrangeiros.
“Eles ficaram chateados de não saber o que exatamente ocorreu com aquele atraso, perderam duas horas de operação”, comenta Alexandre Goldemberg, gerente de produtos eletrônicos da Ativa Corretora. Houve “problemas técnicos em um dos núcleos de negociação do sistema Mega Bolsa”, explicou a bolsa oficialmente.
Na visão de especialistas, os limites atuais são evidentes. O indício viria da própria política da bolsa de multas sobre ordens não executadas. “Já existe hoje uma limitação do sistema. O problema não é o processamento, é o pico de mensagens em um determinado momento”, considera Daniel Mendonça de Barros, sócio-diretor da Link Corretora, figura fácil nas discussões sobre o assunto com a BM&FBovespa.
Na fatídica sessão de 17 de janeiro, o destaque da agenda era o resultado do PIB chinês de 2011. “Estou satisfeito com a Bovespa. É claro que poderia ser mais rápida, mas o Brasil cresceu mais rápido também”, conclui Mendonça de Barros a respeito dos avanços em infraestrutura.
A bola é dividida com as corretoras. Atuar na alta frequência requer gordura para queimar. Os servidores têm vida útil baixa – cerca de um ano. As linhas de conexão entre Brasil e Estados Unidos custam ao redor de US$ 15 mil e US$ 20 mil mensais. Em 2010, pouco antes da disseminação do co-location em ações, a própria BM&FBovespa exigiu o aumento da capacidade da banda mínima dos links de conexão das corretoras para um patamar de pelo menos 4 Mbps – o dobro do que era geralmente usado.
“Muitas corretoras foram na frente de todos e agora estão com dificuldades. Entraram com preço inviável. Tem gente que ganhou os 100 primeiros metros, mas essa é uma maratona”, avalia Christian Egan, diretor executivo do Itaú BBA. A corretora do banco investe hoje entre 12% e 13% do faturamento em tecnologia. Em 2008, a relação era de 6%.
“Existem alguns casos de posicionamento em alta frequência que são irreais. Há corretoras que dão desconto na taxa de corretagem, o que inviabiliza a operação: o cliente precisa operar muito para a corretora apurar ganhos”, analisa Rogério Paiva, sócio diretor da BLK, que tem como clientes 11 das 20 primeiras corretoras na Bovespa. Neste mês, a empresa lança uma solução de algoritmo com acesso via provedor DMA – quando a corretora não precisa ter o servidor. A plataforma consumiu boa parte dos R$ 5 milhões investidos pela BLK em 2011, ano em que o quadro de funcionários multiplicou de seis para 60.
Neste 2012 de esperado salto de patamar na alta frequência, pode-se prever uma tendência de consolidação de corretoras, sobretudo após dois anos de dificuldades em termos de corretagem no mercado de ações.
Procurada, a BM&FBovespa decidiu não se pronunciar


