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País na encruzilhada, dividido por muros, vota o seu futuro via rba

Natal, 22 de Abril de 2018 | Cultura , Economia , Política , Finanças, Gestão, Pessoas , Negociação Coletiva e sustentabilidade.

Marcelo de Souza

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17 abr 2016

País na encruzilhada, dividido por muros, vota o seu futuro via rba


IMPEACHMENT

País na encruzilhada, dividido por muros, vota o seu futuro

Independentemente do resultado da votação na Câmara, o desafio será buscar caminhos para retomar estabilidade política e econômica. Mas haverá espaço para o diálogo? Paralisia é tragédia, diz técnico
por Redação RBA
ANTONIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL
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Muro reflete o estado de espírito predominante no país, de convivência pouco ou nada pacífica entre diferentes

São Paulo – O muro que se ergue na Esplanada dos Ministérios, diante do Congresso, reflete o estado de espírito predominante no país, de convivência pouco ou nada pacífica entre diferentes. De certo, apenas a dúvida: seja qual for o resultado da votação de hoje (17), na Câmara, contra ou a favor do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, como serão os próximos meses e o que precisará ser feito para retomar caminhos de estabilidade, tanto econômicos como políticos? Independentemente do resultado desta noite, haverá espaço, clima e disposição para o diálogo?

A quatro dias da votação, Dilma reuniu um grupo de jornalistas, admitiu capacidade limitada de recuperação pela crise política – que “intensifica” a crise econômica, embora não seja responsável por ela –, defendeu algumas medidas adotadas na economia e reformas, a começar da política. Se vencer a votação de hoje, a presidenta pretende propor um diálogo, uma conversa “com todos os atores”, incluindo líderes da oposição. “Sem vencedores, nem vencidos.”

Uma preocupação geral está no cenário de um eventual governo Michel Temer, que nos últimos dias assumiu sua disposição de exercer a presidência, inclusive discutindo formação de ministério. O vice também deixou vazar um áudio em que se manifesta como se o impeachment estivesse aprovado.

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Jean Wyllys: ‘Elites querem aproveitar para provocar uma crise de governabilidade’

Esse resultado representaria “um caos”, segundo o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), em entrevista à revistaCalle2. “As elites querem aproveitar para provocar uma crise de governabilidade, fazer nascer um governo fraco e totalmente dependente delas e impor uma agenda econômica ainda mais neoliberal, com mais ajuste e mais perda de direitos para os trabalhadores, como fica claro no programa de governo apresentado pelo ‘candidato’ Temer”, avalia o parlamentar, que não vê legitimidade política ou jurídica para o vice governar. Ele também acredita em resistência dos movimentos sociais.

A falta de valorização dos movimentos foi justamente um dos erros dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma, na avaliação do escritor Frei Betto, em entrevista ao jornal Brasil de Fato. Ele também aponta problemas como falta de reformas estruturais e “despolitização da nação”, entre outros.

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Frei Betto: ‘Se Dilma cair, o Brasil passará do Estado de direito ao Estado da direita’

“Apesar disso, os mais pobres tiveram conquistas importantes: 45 milhões saíram da miséria, não houve criminalização dos movimentos sociais e a política externa foi independente. Se Dilma cair, o Brasil passará do Estado de direito ao Estado da direita”, afirma Frei Betto. Para ele, o impeachment é um “golpe branco”, como ocorreu em Honduras, em 2009, e no Paraguai, em 2012. “Entre as vozes das ruas e as das urnas, fico com a última. Se houver impeachment, o Brasil entrará em turbulência política permanente, pois qualquer oposição tenderá a recorrer a esse recurso.”

O presidente do PT, Rui Falcão, declarou que o processo já nasce com vício de origem, porque o impeachment não tem base legal, já que Dilma não cometeu crime de responsabilidade. “Quem assume a Presidência com um processo viciado não tem nosso reconhecimento”, disse ao jornal argentino La Nacion. Para ele, o vice-presidente “não tem legitimidade para conspirar contra o governo” e o comportamento de Michel Temer “configura claramente uma traição”.

Em mensagem divulgada na sexta-feira (15), o ex-presidente Lula fez referências menos ou mais veladas. “Uma coisa é divergir do governo, criticar os erros e cobrar mais diálogo. Outra é embarcar em aventuras acreditando em canto de sereia dos que sentam na cadeira antes da hora”, afirmou, acrescentando que “quem trai um compromisso selado nas urnas não vai sustentar acordos feitos nas sombras”. Para Lula, “ninguém será respeitado como governante se não respeitar a Constituição e as regras do jogo democrático”.

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Rui Falcão: ‘Quem assume a Presidência com um processo viciado não tem nosso reconhecimento’

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), fez uma breve autocrítica durante o programa Espaço Público, da TV Brasil. “O PT é um partido que se formou para ser um contraponto à cultura política que existia no Brasil, essa cultura autoritária, uma cultura muito íntima, às vezes até promíscua entre o poder econômico e o poder político”, comentou. “Mas se amoldou a esse desenho e preferiu se enquadrar nas formas de fazer política que existiam, em vez de insistir numa nova maneira, especialmente no que diz respeito à constituição de uma reforma política. Veja que estamos conquistando o financiamento eleitoral público e privado, mas individual, depois que estamos já há quase 12 anos no poder”, disse.

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Costa: ‘PT preferiu se enquadrar nas formas de fazer política que existiam, em vez de insistir numa nova maneira’

Gol com a mão vale

Para o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, ainda existe o risco de um longo período de instabilidade, seja qual for a decisão da Câmara. “Do ponto de vista econômico, é uma tragédia para o país”, afirma. “Em algum momento, quem ficar no governo vai ter de conduzir reformas. Qualquer que seja o governo precisará de uma capacidade de retomada do investimento. Quem quer que seja, terá de tomar iniciativas muito rápidas.”

Um eventual governo Temer – na hipótese da aprovação do impeachment – já nasceria com sua legitimidade questionada. “Não terá a mesma convergência da sociedade que teve o governo Itamar (Franco)”, observa Clemente, referindo-se ao vice de Fernando Collor, afastado da Presidência em 1992. Neste momento, diz o diretor do Dieese, em analogia futebolística, existe uma situação em que “gol com a mão vale para o time do Temer”. O que configura “mudança de regras com o objetivo específico de tirar alguém do poder”.

No final de 2015, representantes de trabalhadores e empresários aprovaram o chamado Compromisso pelo Desenvolvimento, com propostas de iniciativas para retomada do crescimento. Houve um início de conversação, mas a crise política interrompeu esse diálogo. “Cada vez mais a prioridade cresce”, diz Clemente.

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Clemente: ‘Gol com a mão vale para o time do Temer’

Luta de classes

O cientista político André Singer, durante debate realizado na Universidade de São Paulo, considerou que neste momento o que está em questão é o”desmantelamento” da alternativa popular no país. O que traz vários riscos. “Se você desmantela a alternativa popular, ela vai demorar mais dez, vinte anos para se reconstruir. Talvez seja isso que esteja em jogo. Se for isso, estamos não no fim, mas no começo de um novo processo de luta de classes selvagem.” Nesse sentido, este domingo reservará um “episódio maior” da luta de classes no Brasil.

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Singer: ‘Estamos não no fim, mas no começo de um novo processo de luta de classes selvagem’

Dirigente da Intersindical, Matheus Lima, ao falar sobre a atual divisão política no Brasil, afirma que isso sempre existiu. “Na verdade, o país sempre foi dividido, desde 1500. O que acontece agora é uma nova polarização mais explícita.”

Coincidência

Este fim de semana reserva uma coincidência em termos históricos: há exatos 32 anos, em um 16 de abril, o Vale do Anhangabaú, em São Paulo, recebia um gigantesco comício pelo restabelecimento das eleições diretas para presidente da República. Este mesmo Anhangabaú terá hoje, a partir das 10h, um ato em defesa da democracia.

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Izzo: ‘Lutamos contra a volta ao passado, o atraso’

Douglas Izzo estava lá em 1984, quanto tinha 19 anos e era estudante universitário. O atual presidente da CUT São Paulo acredita que este momento ainda revela certa fragilidade da democracia brasileira. “A gente lutava pela democracia, pela ampliação de direitos… Depois veio a Constituição de 1988. Hoje, luta contra a volta ao passado, o atraso”, afirma.

O risco também é de perda de direitos trabalhistas e sociais, com a implementação da terceirização em todos os setores e a prevalência do negociado sobre o legislado. Douglas avalia que muitas conquistas ficam sob ameaça com o programa Ponte para o Futuro, do PMDB. Por sinal, ele muda a última palavra para “inferno”.

‘Palhaçada’

O cantor, compositor e artista plástico Sérgio Ricardo fez na semana que passou, em sua página no Facebook, um protesto contra o momento brasileiro. “O mundo inteiro está vendo essa palhaçada e comentando sobre este episódio vergonhoso de nossa história atual. Vamos acabar logo com essa chanchada”, pediu.

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Sérgio Ricardo: ‘O mundo inteiro está vendo essa palhaçada’

“Lugar de contraventor descarado é na cadeia. Já que estamos gastando boa vela com maus defuntos, e temos pela frente um último capítulo, façamo-lo épico com toda gente pelas ruas do país, a conquistar a vitória nesse embate, empunhando nosso amor próprio por determinação de uma consciência que rejeita a deformação da manobra urdida não só para depor uma mulher honesta do governo, como a reconquistar o terreno da deterioração das conquistas de nosso povo, conseguidas no voto, democraticamente, para que voltem escravos de suas senzalas”, afirmou o autor de obras como ZelãoEsse Mundo é Meu e a trilha sonora de Deus e o Diabo na Terra do Sol.

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Verissimo: ‘Governo para pobres era uma ameaça inadmissível para a fortaleza do poder real’

E ao escritor Luis Fernando Verissimo coube uma reflexão sobre o fim das ilusões no país. Em crônica publicada no jornal O Globo, ele imaginou um encontro, no futuro, com a História. E escreveu que o Brasil de 2016 encontrou “o fim da ilusão que qualquer governo com pretensões sociais poderia conviver, em qualquer lugar do mundo, com os donos do dinheiro e uma plutocracia conservadora, sem que cedo ou tarde houvesse um conflito, e uma tentativa de aniquilamento da discrepância”. E acrescentou: “Um governo para os pobres, mais do que um incômodo político para o conservadorismo dominante, era um mau exemplo, uma ameaça inadmissível para a fortaleza do poder real. Era preciso acabar com a ameaça e jogar sal em cima. Era isso que estava acontecendo”.

 



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